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A cova
Aquele dia nublado, tão coberto pelas mantas fofas e cinzentas, estava ainda mais triste que o normal. Depois de meses de luta, de esperança, de empenho... era hora de pôr um fim. O destino já havia sido aceito. O pai já havia comprado a passagem para uma outra realidade. Era hora de se despedir. Nem as flores que Mariane carregava deixavam o ambiente alegre e colorido. Eram lírios brancos. Mas ela nem sabia o porquê de ter escolhido aquelas flores. Todos os presentes estavam
Odilon Júnior
há 4 dias4 min de leitura
O espelho molhado
- Diana, você pode relaxar. Está segura aqui. – disse uma voz feminina, suave, e a cada palavra o corpo ia se afundando naquela poltrona macia. – Eu estarei com você durante todo o percurso... Respire lentamente. Nós faremos uma viagem para dentro do seu subconsciente. Diana tinha acabado de se mudar para uma nova cidade. Dizia que busca novas oportunidades. E encontrou. Entretanto, o novo emprego exigia acompanhamento psicológico e, se necessário, psiquiátrico para que os fu
Odilon Júnior
9 de set.5 min de leitura
A janela
Ninguém mais olhava para aquela janela. E nem por ela. Era como se toda aquela chuva sem fim inundasse a percepção de toda a cidade – que cada vez mais diminuía. Lá no centro da cidade existia um prédio solitário, sem uso, abandonado. E sim, com certeza era o mais alto de todos. Bem no meio. E lá no alto, aquela janela aberta, dourada. Mas ninguém se atrevia entrar no prédio, nem subir as escadas empoeiradas e, tampouco, se permitir olhar pela janela. “Pare de olhar para jane
Odilon Júnior
2 de set.3 min de leitura
O monstro da ponte Sanátas.
A criatura esperou o último raio de sol desaparecer antes de sair do esconderijo. Não que fosse algo oculto. Todo mundo dizia, “há um monstro escondido por baixo da ponte Sanátas”. Mas eu não me dei conta da hora. Estava cansado, caminhei por dias em busca da tal floresta das árvores vermelhas. E ainda não a encontrei. Somente eu e meu cajado, durante todo esse percurso. E agora diante de um monstro tão horrendo e cheio de espinhos. Forte como um mamute, rápido como um lobiso
Odilon Júnior
5 de ago.3 min de leitura
A casa da dona Joana
Um grupo de adolescentes resolveu investigar a famosa casa no meio da mata. Uma casa antiga e repleta de histórias. A casa da dona Joana, uma mulher que viveu há muito tempo, e até hoje não se sabe o que aconteceu com ela. Já não era comum falar daquela casa. Mas antigamente toda pessoa que passava pela cidade era advertida – “Não entre naquela casa. Ela é perigosa”. Embreando-se pela mata, seguindo a trilha que ia até a cachoeira, mudando o percurso a cada árvore com um cord
Odilon Júnior
22 de jul.3 min de leitura
A fazenda e a capela
Ninguém acreditou quando eu disse que a casa continuava esperando por alguém. E hoje eu retorno, adulto, e encaro aquela casa mais uma vez. Eu era uma criança quando jurei não retornar, mas minhas escolhas me trouxeram de volta a esse lugar... E eu preciso encarar tudo isso. Por mais incrível que minha memória seja, eu não me recordo do que está lá dentro... Nem do porquê a pequena capela estar desativada. Meus avôs cresceram no vilarejo aqui perto e compraram esses terrenos
Odilon Júnior
8 de jul.3 min de leitura
A chave para uma viagem
Este conto foi escrito como um exercício de escrita criativa. O desafio consistia em desenvolver uma história utilizando os seguintes parâmetros: Tema: Toda porta cobra um preço para ser aberta. Frase inicial: "Quando encontrei a chave, ela já parecia estar esperando por mim." Par de palavras (ambas devem aparecer no texto): ferrugem e perfume. Mini-cenário: Uma pequena estação ferroviária abandonada, onde nenhum trem passa há muitos anos. Pequeno conto: Quando encontrei a ch
Odilon Júnior
1 de jul.2 min de leitura
A máscara do senhor Olímpio.
Neuza saiu cedo de casa, o sol nem havia raiado direito quando o galo cantou. Ela levantou-se de sua cama, acordou o marido, se arrumou e partiu rumo a grande casa do senhor feudal da região. Ela não gostava de ir lá, sentia que aquela casa começava a agarrá-la logo a ser vista. Era uma casa grande, de pedra, sombria, seu jardim era mórbido, sem vida. Somente árvores escuras e sem alguma flor. O jardineiro também não gostava de trabalhar, nem a cozinheira, nem os outros... Ma
Odilon Júnior
29 de jun.2 min de leitura
O afogamento de Emily
- Você tem que aprender a nadar. – insistia seu pai. – Sua mãe foi a melhor nadadora do mundo. Esse dom está em seu sangue. - Eu não quero. – relutava jovem Emily, com seus treze anos. - Não é uma questão de querer. Já está em seu sangue. Você precisa ser a melhor. - Pai... - Você vai treinar até não conseguir mais. Eu volto para te buscar as vinte e duas horas. - Pai... eu não vou nadar isso tudo. - Vai sim! Seu pai saiu, deixando-a sozinha na piscina. Todas as outras crian
Odilon Júnior
29 de jun.3 min de leitura
A história nunca contada dos meus avôs
Este conto foi escrito como um exercício de escrita criativa. O desafio consistia em desenvolver uma história utilizando os seguintes parâmetros: Tema:O preço de conhecer uma verdade. Frase inicial:"Quando abri a terceira gaveta, encontrei algo que não deveria existir." Par de palavras (ambas devem aparecer no texto): farol e cicatriz. Mini-cenário: Uma estação ferroviária abandonada que não aparece em nenhum mapa. --------------------- Quando abri a terceira gaveta, enc
Odilon Júnior
17 de jun.4 min de leitura
Carmem, a velha
Este conto foi escrito como um exercício de escrita criativa. O desafio consistia em desenvolver uma história utilizando os seguintes parâmetros: Tema: Vila onde ninguém envelhece, mas tudo tem prazo de validade. Frase inicial: “O calendário da casa assobiou o meu nome na manhã em que o vizinho apagou.” Par de palavras: Ritual / Pilha de documentos. Mini-cenário: Um lugar onde você pode trocar um sonho por uma memória — mas existem tarifas e taxas. --------------------- O
Odilon Júnior
2 de jun.2 min de leitura
Um sussurro e uma vítima
Este conto foi escrito como um exercício de escrita criativa. O desafio consistia em desenvolver uma história utilizando os seguintes parâmetros: Tema: Rádio que sussurra segredos do futuro. Frase inicial: “Ela abriu o armário e encontrou o inverno de outro corpo.” Par de palavras: Semente / Telefone. Mini-cenário: Um jornal antigo anuncia a morte de alguém que está vivo e agora precisa provar que existe. --------------------- Ela abriu o armário e encontrou o inverno de
Odilon Júnior
26 de mai.2 min de leitura
O cão
Havia um cão no meio do caminho. Sentado, olhando bem fundo em minha alma. Mesmo distante eu conseguia sentir seu focinho gelado farejando meu medo... Eu tremia. Meus impulsos de caminhar cessavam antes mesmo de começar. A estrada era enorme, faltava muito para chegar em casa antes do sol terminar de se por... Mas havia um cão no meio do caminho.
Odilon Júnior
26 de mai.1 min de leitura


O guarda-chuva
Conto rápido criado como exercício para estimular a criatividade. Esse conto se baseia no medo de enxergar as ilusões da vida.
Odilon Júnior
16 de jan.3 min de leitura


A tempestade de gritos
Um pequeno conto medonho baseado em um fato, uma experiência asusstadora.
Odilon Júnior
26 de abr. de 20243 min de leitura


O caminhante da avenida
Levantei-me mais cedo do que o normal, e isso só afetou o meu trabalho. Passei o dia inteiro com sono. Como eu trabalho em casa, certas...
Odilon Júnior
5 de abr. de 20245 min de leitura


A menina da curva da morte
Quando eu era nova, com onze anos de idade, lembro do dia que meu pai saiu de casa, bêbado, e sofreu um acidente seríssimo. Ninguém sabe...
Odilon Júnior
22 de jan. de 20243 min de leitura


O espantalho
Minha mãe sempre falava: - Não é para mexer ou xingar o espantalho lá na plantação, moleque. E eu, sempre que ia entregar o almoço do meu...
Odilon Júnior
20 de set. de 20233 min de leitura


O espelho do shopping
Um dia desses, no inverno, fui com minhas amigas ao shopping. Nada demais. Queríamos apenas conversar, ver as vitrines, comer algo...
Odilon Júnior
11 de set. de 20236 min de leitura


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