A casa da dona Joana
- Odilon Júnior
- há 2 dias
- 3 min de leitura
Um grupo de adolescentes resolveu investigar a famosa casa no meio da mata. Uma casa antiga e repleta de histórias. A casa da dona Joana, uma mulher que viveu há muito tempo, e até hoje não se sabe o que aconteceu com ela.
Já não era comum falar daquela casa. Mas antigamente toda pessoa que passava pela cidade era advertida – “Não entre naquela casa. Ela é perigosa”.
Uma casinha simples, de pau-a-pique. Paredes e telhados feitos de barro e galhos fortes... mas tudo precário e muito antigo.
Parecia que a casa iria cair, mas ela não se movia.
A porta de madeira estava aberta, como se sorrisse.
As janelas todas fechadas, como se apertassem os olhos.
O quintal era amplo, rodeado de árvores pequenas.
Nenhum animal se aproximava, nem mesmos os pássaros voavam sobre o cenário.
Um dos garotos queria entrar, já com a lanterna em mãos. Outros sentiam-se observados, e inquietos enquanto se perguntavam mentalmente “Como essa casa ainda está de pé?”.
Uma das garotas entrou, pé por pé, admirando o vazio da casa e a poeira se levantando.
Era escuro lá dentro, tão escuro quanto uma caverna. O rapaz com a lanterna entrou, e eles atravessaram para o outro quarto, e depois outro, e mais outro, e mais outro, gritando para que os outros os acompanhassem. Depois passaram por árvores e chegaram ao terreiro.
Seus colegas não estavam lá.
Havia fumaça saindo da chaminé.
A porta estava fechada.
Os dois se aproximaram e bateram à porta.
“Ei! O que estão fazendo aí dentro?”.
Não foi o vento, mas algo soprou forte.
O garoto percebeu as árvores cinzas tão grandes quanto arranha-céus. Sua lanterna mirava, mas não iluminava. Seus pés não se moviam mais, como se estivessem atolados. Algo se moveu em meio as árvores.
Os adolescentes atravessaram os arbustos por onde vieram... e saíram novamente do outro lado da casa.
Correram novamente por entre as árvores e pela escuridão, reencontrando um outro lado da tapera.
Ida e volta, sol e sombra. A floresta e a casa.
O ar entrava e saía rápidos dos pulmões.
Talvez entrar na casa os levasse de volta.
A menina bateu à porta mais uma vez... na terceira batida a porta se abriu, lentamente. E quanto mais a luz do sol entrava, mais móveis simples se era possível ver.
Perto da parede, ainda escondida sobre a luz direta do sol, uma velhinha picava algumas cebolas. Seus cabelos eram tão cinzas quanto a prata, e suas vestes eram antigas e surradas.
A garoto perguntou quem era ela. Sem respostas.
O jovem se aproximou lentamente, tentando iluminar o rosto da velha senhora.
A luz a atravessa, e se projetava totalmente na parede ao fundo, exibindo as rachaduras da construção.
Uma batida oca surgiu de algum lugar, como se alguém batesse a porta, e os jovens giraram a cabeça para tentar encontrar a fonte.
A velha suspirou alto e gargalhou.
Os garotos voltaram ao seu olhar para dentro da casa.
Os olhos da velha brilharam em um único tom de preto.
A menina puxou o garoto pelo braço e o puxou para a mata.
A velha continuou sentada, gargalhando, cada vez mais alto e maldosa.
Os jovens correram entre as árvores, cada vez maiores, cada vez mais sombrias. Enquanto algumas mãos saiam pelas paredes e árvores, buscando agarrar suas presas.
Os jovens retornavam a casa, e lá estava a velha, sentada e rindo na escuridão.
Os garotos corriam, em círculos, sem direção.
As mãos estavam ficando ainda mais próximas, levando as gargalhadas até as presas angustiantes.
O garoto caiu. Levantou-se em supetão e, com a ajuda da lanterna, viu cordas amarradas em uma árvore. Ele correu, puxando sua colega, e depois correu até a outra árvore marcada.
Antes mesmos dos seus gritos saírem pela porta, os dois conseguiram sair da casa.
“O-o que aconteceu lá dentro?”, “Por que tantos gritos?” - questionavam os outros amigos.
Não houve explicação ali, apenas um pedido para que todos fossem embora o mais rápido possível.
A casa ficou sozinha de novo, ainda com a porta entreaberta, sorrindo.

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