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O monstro da ponte Sanátas.

  • Foto do escritor: Odilon Júnior
    Odilon Júnior
  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

A criatura esperou o último raio de sol desaparecer antes de sair do esconderijo.

Não que fosse algo oculto. Todo mundo dizia, “há um monstro escondido por baixo da ponte Sanátas”.

Mas eu não me dei conta da hora.

Estava cansado, caminhei por dias em busca da tal floresta das árvores vermelhas. E ainda não a encontrei.

Somente eu e meu cajado, durante todo esse percurso. E agora diante de um monstro tão horrendo e cheio de espinhos. Forte como um mamute, rápido como um lobisomem, resistente como um dragão... e aparentemente tão parecido com cada um desses monstros.

Ele não teme o fogo... minha magia o acerta e ele permanece vidrado em mim.

Por quê eu me perdi observando o pôr-do-sol? Agora preciso lutar mais e sobreviver. Preciso da “raiz-de-sol” para salvar meu vilarejo.

“Sol!” – pensei comigo mesmo.

Foi como o soar de um sino sagrado.

O monstro não saiu de sua toca durante o dia. Ele teme a luz, a luz do sol...

“Luminária Solar” – conjurei a magia. Ele recuou me observando por pequenas frestas ainda abertas em seus olhos.

Talvez eu deva sacar minha ‘rapieira’ e atacar, mas pra isso preciso abandonar a magia conjurada... Ainda preciso do cajado para mantê-la acesa.

O monstro não se mexia. Mas eu sentia seus olhos me dilacerando enquanto eu caminhava.

Ele pulou contra mim quando eu me aproximei da beirada da ponte.

Eu desviei a tempo de fugir do voraz ataque da foice da morte.

Meu cajado ainda iluminava o local, e o monstro permaneceu parado, ainda me fitando.

Tão grande, tão forte e tão rápido...

Ele estava defendendo algo.

Talvez... Não é minha primeira grande ideia errada... Mas talvez eu consiga atravessar para floresta e seguir meu caminho. Caso ele me siga, posso usar a luz mágica do sol para me proteger e pensar em outra coisa.

Eu caminhei lentamente para trás. Um passo de cada vez. E o monstro permaneceu imóvel, como uma estátua de olhos vendados.

Ao terminar de cruzar a ponte eu desfiz a magia.

Ele avançou, mas não atravessou a ponte, parou a alguns metros de mim e uivou um bramido de aviso... Mas não sei se ele se referia a ponte ou a floresta.

Confesso que eu me congelei nesse momento.

Se havia algo pior naquela floresta, eu não iria concluir a minha missão. Mas eu não tinha poder para enfrentar aquela criatura... mesmo a minha curiosidade me pedindo para bisbilhotar o lar daquele ser.

“Santa Magia”, pensei. “Por que eu sou um feiticeiro tão fraco?”

Talvez meu poder não estivesse na magia, mas na observação e na capacidade de me adaptar.

Dois dias se passaram desde que saí da ponte e entrei na floresta...

Estou perdido, confesso. E ainda não encontrei tal perigo tão admirável quanto aquela criatura. Mas há pegadas grandiosas no solo e várias marcas de unhas gigantes nas árvores altas.

Há algo aqui sim, e tenho certeza de que a criatura me avisou. Ela temia a floresta tanta quanto a luz do sol. Agora eu temo a noite e a ideia de ficar meses dentro desse lugar.

Meu próximo passo é desbravar essa clareira rodeada de árvores ainda de pé. Parece recente que toda essa destruição aconteceu aqui, tantas árvores ao chão...

Tem um barulho estranho e lento surgindo ao oeste.

 

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Importante para o leitor:rapieira ou roupeira é um tipo de espada, de lâmina comprida e estreita, popular desde o período medieval até a renascença, que se tornou a arma mais comum daquela época, principalmente na Espanha, Itália e Portugal nos séculos XVI e XVII. Rapieiras são geralmente descritas como sendo espadas com a lâmina relativamente longa e fina, ideal para golpes de perfurações e uma proteção guarda-mão com complicados filetes de metal, o que a torna uma bela arma, podendo ser usada na esgrima artística. A lâmina tem largura suficiente para cortar a golpe, mas muito do poder da rapieira vem da sua habilidade de perfuração. Fonte: wikipedia. 


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Tema: O monstro também tem medo de alguma coisa.

Frase inicial: A criatura esperou o último raio de sol desaparecer antes de sair do esconderijo.

Par de palavras: espinhos e sino.

Mini-cenário: Uma antiga ponte de pedra que liga uma floresta a um pequeno vilarejo.

Desafio opcional: Tente fazer o leitor mudar de opinião sobre o monstro até o final. Ele pode continuar sendo perigoso... mas talvez não seja o verdadeiro vilão.

Objetivo técnico da semana: Treinar empatia por um personagem não humano. Em vez de perguntar "como ele mata?", pergunte:

  • O que ele deseja?

  • O que ele evita?

  • O que o faz sofrer?

  • O que ele perdeu?

Às vezes, um monstro se torna mais assustador justamente quando percebemos que ele sente medo.

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