top of page

A tempestade de gritos

  • Foto do escritor: Odilon Júnior
    Odilon Júnior
  • 26 de abr. de 2024
  • 3 min de leitura
tempestade de gritos

Comprei meu apartamento e fui morar sozinho, perto da faculdade. Eu desejava a liberdade de morar de só, mesmo tendo colegas de casa tão legais e gente boa. Comprei um apartamento bom, duas suítes, sendo uma o quarto para visita, um quarto pequeno, sala e cozinha, banheiro social e uma sacada. Simples, mas era perfeito para mim.

Mas era difícil. Quase três horas para voltar para casa após a faculdade, ainda tinha que fazer os trabalhos, estudar e levantar cedo, bem cedo, para trabalhar no outro dia. Essa era minha vida: eu me levantava cedo, encarava ônibus e metrô, trabalhava, encarava mais um metrô e outro ônibus até a faculdade e depois voltava para casa.

Com o passar dos meses, após a mudança, comecei a ter mais tempo para mim. Eu gastava menos tempo para ir trabalhar e bem menos para voltar para casa. A caminhada do portão da faculdade à porta do meu prédio durava cerca de vinte minutos, caminhando tranquilo.

Eu sempre tive o hábito de meditar, desde pequeno. Mesmo sem saber mantras, eu me sentava na pose de lótus, fechava os olhos e respirava fundo. Depois passei a estudar o budismo e outras religiões. Não seguia firmemente os ensinamentos, mas me esforçava muito para viver bem, pensar positivo, não causar mal a ninguém etc.

Com mais tempo livre, voltei a meditar. Colocava meu tapete no chão, acendia um incenso e uma vela, colocava os fones de ouvidos e recitava meus mantras aos sons de cachoeiras, da noite, do vento, do universo. É uma sensação, uma experiência fantástica.

Mas certo dia, como isso é um relato de algo sobrenatural, algo aconteceu.

Bom... eu estava meditando, como de costume - já havia encerrado as aulas e defendido minha dissertação. Tinha muito tempo livre. – e eu senti uma tempestade se aproximando, vinda do leste, encobrindo o sol, e com ela se aproximavam gritos.

Eu abri os olhos, tirei o fone e fui até a janela. O dia estava normal. Olhei para as casas, imaginei que fosse algo acontecendo no bairro... nada. Tudo na santa paz.

Eu achei que fosse o quarto, era o menor que tinha no apartamento e onde eu guardava algumas coisas minhas. Meio que um armário para a bagunça “organizada”.

Meditei na sala no outro dia, aconteceu o mesmo. Meditei em meu quarto no outro final de semana, novamente senti aquilo. Percebi que não era o local... nem tampouco o apartamento. Meditei uma vez no parque ecológico da cidade e senti o mesmo.

Voltei a meditar só no quarto, ignorava o máximo que podia aquela sensação para terminar meus mantras e minhas sessões de meditação.

Certo dia... estou arrepiado só de lembrar. Bom, certo dia eu fui meditar, acendi o incenso, coloquei o tapete no chão, coloquei uma música pra relaxar, sentei na posição de lótus e comecei... A escuridão chegou rápido, eu arrepiei cada pelo do meu corpo, e eu ouvia os gritos, andando no horizonte... As gotas de chuvas eram tão geladas e tão reais.

Eu tentei ignorar... mas quando senti que tinha algo atrás de mim, eu me virei, de olhos fechados...

Eu vi a chuva forte caindo, eu ouvi os gritos passando por mim e me senti fraco. Abri os olhos e o céu cintilava o azul celeste do dia. Mas eu senti ali, a tempestade e os gritos. Era só eu fechar os olhos que aquilo me assustava. Não sei como isso acabou, não lembro o que fiz para que isso parasse ou se essa foi a última vez que aconteceu. Talvez fosse um aviso, mas juro, eu não compreendi o recado completamente.

Baseados em fatos.


E agora, aproveitando para compartilhar o que a Inteligência Artificial desenhou usando alguns comandos que resumiram esse conto.



Posts Relacionados

Ver tudo
O monstro da ponte Sanátas.

A criatura esperou o último raio de sol desaparecer antes de sair do esconderijo. Não que fosse algo oculto. Todo mundo dizia, “há um monstro escondido por baixo da ponte Sanátas”. Mas eu não me dei c

 
 
 
Sem fio

Minha casa já não era mais segura. Não, nem as ruas da cidade por onde morei. Aquelas vozes me perseguiam por todo lado. No começo era uma semente de incomodo diário. Depois se tornou uma florestas de

 
 
 
A casa da dona Joana

Um grupo de adolescentes resolveu investigar a famosa casa no meio da mata. Uma casa antiga e repleta de histórias. A casa da dona Joana, uma mulher que viveu há muito tempo, e até hoje não se sabe o

 
 
 

Comentários


bottom of page