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A tia dos doces

  • Foto do escritor: Odilon Júnior
    Odilon Júnior
  • 15 de jul.
  • 3 min de leitura

Francisco caminhava tranquilo pelas ruas do centro da cidade. Ele viu uma mulher com uma caixa de isopor algumas vezes, e chegou a desviar dela para não ser abordado assim como outras pessoas faziam. Ela parecia ser uma vendedora.

Mesmo com aquele alvoroço de gente, ele seguia calmo, de loja em loja, observando e comprando o necessário para sua casa nova. Estava de férias da faculdade e do trabalho, se deu ao luxo de passear sem pressa.

Foi uma manhã de muitas compras, e a lista não estava nem na metade.

E quando as mãos cansavam de tanto peso, das compras que não precisavam de entrega agendada, ele retornava ao carro, estacionado em uma rua menos movimentada, e guardava tudo no porta-malas.

- Oi. – disse uma mulher baixinha e simpática, tão magra que parecia que a caixa de isopor que ela carregava estava vazia e leve. – Que tal um docinho para alegrar seu dia?

- Olá. – espantou-se Francisco. – E quais sabores você tem aí?

- Doce de leite, coco, morango, brigadeiro, ninho... – a caixa estava cheia de doces e bombons, todos bem embrulhados em embalagens coloridas e diversas.

- Quero um de coco então...

- Obrigada pela compra. Tenha um bom dia.

A mulher baixinha saiu caminhando, abordando outras pessoas com seu sorriso.

Francisco mordeu o primeiro pedaço do doce, suas pupilas dilataram e seu coração pulou de alegria enquanto seu estomago abraçava aquele sabor maravilhoso.

Seu telefone vibrou, era alguém no grupo da faculdade contando que ajudou a tia do doce agora a pouco, comprando quase vinte bombons diferentes.

Francisco reagiu e contou que acabou de comprar um doce dela.

Jorge perguntou onde ele estava, porque não fazia nem cinco minutos que ele havia efetuado a compra em um bairro distante.

Nesse instante Francisco estranhou, observou a mulher virar a esquina e a seguiu. Ela não estava na outra rua... e nem em lugar algum.

O jovem apenas retornou ao carro, sentiu a exaustão pousar em seus ombros e resolver deixar o restante das compras para um outro dia.

Fim das férias, de volta aos estudos. A turma de amigos se reencontrou em um bar, em uma sexta-feira a noite. Francisco contou a história para os demais amigos, todos riram, até que Fernanda se emudeceu, seus olhos ficaram vidrados na porta de entrada de bar.

- O que aconteceu, Nanda?

- Impossível...

- Nanda?

- Minha mãe acabou de me ligar perguntando se eu queria algum bombom, porque havia uma senhora passeando pela rua lá do bairro e vendendo doces...

- E daí?

- A tia do doce está parada ali na porta do bar...

Todos olharam, exceto Francisco, seu corpo não respondeu ao movimento, estava tão gelado quanto uma escultura em pedra.

- Não pode ser a mesma pessoa.

- Mas é... eu olhei na câmera para de segurança... Tenho acesso pelo celular.

- Mas bem que um bombom agora cairia bem...

- Boa noite! – sorriu a mulher baixinha e carismática. – Alguém quer algum bombom ou docinho?

Em um silêncio gigantesco, os olhos arregalados não conseguiram se pronunciar. Francisco se levantou, dirigiu-se até o banheiro.

- Nenhum docinho? Poxa... faltam poucos para eu vender todos dessa caixa.

- Eu compro! – pronunciou-se um rapaz da turma.

- Tem de morango? – perguntou uma moça.

- Hum... – a mulher abriu a caixa insatisfeita, encolheu os lábios para dentro da boca, levantando a sobrancelha. – Só tenho um de coco aqui... eu posso ir buscar mais.

- Eu fico com o de coco então. – disse o rapaz.

Fernanda estava paralisada. Sua mente estava em silêncio, como se quisesse perceber algo que seus olhos não via. A mulher saiu da mesa, caminhou em direção aos banheiros.

E Nanda podia jurar que viu a mulher saindo do banheiro masculino e sua caixa estava cheia de doces novamente.


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Ontem tive uma ideia enquanto caminhava de volta para casa: transformar uma cena cotidiana em algo sobrenatural e com terror. Me veio a “Tia do Doce” que vende docinhos pela ruas da cidade. E eis o conto que escrevi como exercício de escrita criativa.

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