A tia dos doces
- Odilon Júnior
- há 1 dia
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Francisco caminhava tranquilo pelas ruas do centro da cidade. Ele viu uma mulher com uma caixa de isopor algumas vezes, e chegou a desviar dela para não ser abordado assim como outras pessoas faziam. Ela parecia ser uma vendedora.
Mesmo com aquele alvoroço de gente, ele seguia calmo, de loja em loja, observando e comprando o necessário para sua casa nova. Estava de férias da faculdade e do trabalho, se deu ao luxo de passear sem pressa.
Foi uma manhã de muitas compras, e a lista não estava nem na metade.
E quando as mãos cansavam de tanto peso, das compras que não precisavam de entrega agendada, ele retornava ao carro, estacionado em uma rua menos movimentada, e guardava tudo no porta-malas.
- Oi. – disse uma mulher baixinha e simpática, tão magra que parecia que a caixa de isopor que ela carregava estava vazia e leve. – Que tal um docinho para alegrar seu dia?
- Olá. – espantou-se Francisco. – E quais sabores você tem aí?
- Doce de leite, coco, morango, brigadeiro, ninho... – a caixa estava cheia de doces e bombons, todos bem embrulhados em embalagens coloridas e diversas.
- Quero um de coco então...
- Obrigada pela compra. Tenha um bom dia.
A mulher baixinha saiu caminhando, abordando outras pessoas com seu sorriso.
Francisco mordeu o primeiro pedaço do doce, suas pupilas dilataram e seu coração pulou de alegria enquanto seu estomago abraçava aquele sabor maravilhoso.
Seu telefone vibrou, era alguém no grupo da faculdade contando que ajudou a tia do doce agora a pouco, comprando quase vinte bombons diferentes.
Francisco reagiu e contou que acabou de comprar um doce dela.
Jorge perguntou onde ele estava, porque não fazia nem cinco minutos que ele havia efetuado a compra em um bairro distante.
Nesse instante Francisco estranhou, observou a mulher virar a esquina e a seguiu. Ela não estava na outra rua... e nem em lugar algum.
O jovem apenas retornou ao carro, sentiu a exaustão pousar em seus ombros e resolver deixar o restante das compras para um outro dia.
Fim das férias, de volta aos estudos. A turma de amigos se reencontrou em um bar, em uma sexta-feira a noite. Francisco contou a história para os demais amigos, todos riram, até que Fernanda se emudeceu, seus olhos ficaram vidrados na porta de entrada de bar.
- O que aconteceu, Nanda?
- Impossível...
- Nanda?
- Minha mãe acabou de me ligar perguntando se eu queria algum bombom, porque havia uma senhora passeando pela rua lá do bairro e vendendo doces...
- E daí?
- A tia do doce está parada ali na porta do bar...
Todos olharam, exceto Francisco, seu corpo não respondeu ao movimento, estava tão gelado quanto uma escultura em pedra.
- Não pode ser a mesma pessoa.
- Mas é... eu olhei na câmera para de segurança... Tenho acesso pelo celular.
- Mas bem que um bombom agora cairia bem...
- Boa noite! – sorriu a mulher baixinha e carismática. – Alguém quer algum bombom ou docinho?
Em um silêncio gigantesco, os olhos arregalados não conseguiram se pronunciar. Francisco se levantou, dirigiu-se até o banheiro.
- Nenhum docinho? Poxa... faltam poucos para eu vender todos dessa caixa.
- Eu compro! – pronunciou-se um rapaz da turma.
- Tem de morango? – perguntou uma moça.
- Hum... – a mulher abriu a caixa insatisfeita, encolheu os lábios para dentro da boca, levantando a sobrancelha. – Só tenho um de coco aqui... eu posso ir buscar mais.
- Eu fico com o de coco então. – disse o rapaz.
Fernanda estava paralisada. Sua mente estava em silêncio, como se quisesse perceber algo que seus olhos não via. A mulher saiu da mesa, caminhou em direção aos banheiros.
E Nanda podia jurar que viu a mulher saindo do banheiro masculino e sua caixa estava cheia de doces novamente.
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Ontem tive uma ideia enquanto caminhava de volta para casa: transformar uma cena cotidiana em algo sobrenatural e com terror. Me veio a “Tia do Doce” que vende docinhos pela ruas da cidade. E eis o conto que escrevi como exercício de escrita criativa.

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