Parasite(s) Eve(s) – Um Sci-Fi maravilhoso para leitura e jogos
- Odilon Júnior
- há 4 dias
- 4 min de leitura

Imagine uma realidade onde um parasita – que vive em harmonia dentro do corpo humano – resolve se rebelar?
Parasite Eve é uma ficção científica e um horror biológico que se mistura ao drama humano, tornando-se uma franquia interessante e prazerosa. Inspirada em um romance homônimo de Hideaki Sena, essa obra traz as mitocôndrias – responsáveis pela energia das nossas células – como um ser consciente e que deseja evoluir sem a humanidade, planejando atos, persuadindo e aniquilando pessoas apenas com a energia corporal. Essa franquia se original no livro, se desdobrou para filme e jogos digitais.
Seguindo a ordem cronológica das minhas experiências, vamos começar avaliando o jogo.

Parasite Eve (PS1) – 5 estrelas
Não lembro exatamente quando foi que joguei essa maravilha. Presumo que foi entre 2002 e 2006. Inicialmente, o título me chamou a atenção, depois as cenas de abertura de jogo e a ópera logo na primeira cena – isso me encantou. A jogabilidade me deixou curioso, achei interessante e fez me lembrar de outro jogo que gosto muito e por fim, e muito importante, a história me prendeu.
Parasite Eve é um RPG de horror científico lançado em 1998 pela Square. Apostando em um sistema de batalha em tempo real com barra de turno em um clima de horror survival. A história se passa no Natal de 1997 em Nova York, onde acompanhamos a policial novata Aya Brea em uma bizarra investigação após boa parte do público de uma opera pegar fogo. Aya conhece Melissa, a atriz principal da opera, que revela ser Eve, uma entidade ligada às mitocôndrias e que decidi libertá-las para substituir a humanidade em uma nova raça.
Enquanto lutamos contra os planos de Eve, descobrimos mais sobre o passado de Aya e sua ligação com tudo o que está acontecendo revelando que ela não é apenas uma observadora e sim parte essencial dos acontecimentos. E vale ressaltar que aqui temos um ponto chave que se conecta com a história do livro, reforçando a ideia de que o universo dessa história é coeso e cheio de possibilidades.
Para mim, esse jogo sempre teve nota 10. É fantástico, surpreendente, tem a temática de terror, ficção científica e RPG.
Falando sobre gamificação e sistemas, o jogo foi vendido como um “cinematic RPG” – com foco em cutscenes lindas, trilha orquestral maravilhosa e uma campanha dividida em capítulos (seis dias, seis capítulos). Como todo e bom RPG, o jogo traz sistema de níveis, distribuição de pontos bônus, melhoria de armas e magias (Parasite Energy), e o new game +.

Parasite Eve 2 (PS1) – 5 estrelas
Continuando a história de Aya Brea, alguns anos depois dos eventos em Nova York, a policial é convocada para investigar um incidente em um prédio da cidade. Nesse local ela confronta uma criatura assassina que destrói o prédio. A agente do MIST (Mitochondrion Investigation and Suppression Team) viaja para o deserto para investigar a aparição de criaturas na região. Com uma jogabilidade mais fluída e ainda seguindo princípios do RPG, desbravamos um hotel semiabandonado em buscas de respostas e enfrentamos dezenas de monstros. O clima é mais tenso, as cutscenes são ainda mais bonitas, o terror tem bons momentos durante esse jogo – munição limitada, sensação constante de vulnerabilidade, locais abandonados.
Aya descobre uma instalação de pesquisa, de onde essas criaturas vieram, e encontra um clone de si, reforçando as ideias centrais à franquia – identidade e substituição.
Tão bom quanto o primeiro, esse jogo explora bastante os quebra-cabeças e nos permite ter finais ruins e bons, dependendo da nossa escolha. Além de um new game + que aumenta a dificuldade a cada zeramento.
Vale muito a pena jogar essa sequência.

The 3rd birthday – 5 estrelas
Continuando nossa aventura em um RPG action frenético, seguimos Aya, com amnésia, viajando no tempo para mudar batalhas contra os Twisted, monstros que devoram humanos. – Esses monstros representam muito mais do que a evolução, trazem o conceito de eventos históricos deformados, que Aya tenta corrigir a um custo pessoal altíssimo.
Esse jogo temos uma narrativa não linear e revelações complexas sobre que envolvem o casamento de Aya Brea e Kyle Madigan, um personagem importante na trama do segundo jogo. Isso cria uma conclusão amarga e controversa, mas coerente com o tom existencial da franquia. Um final marcante, não tanto confortável.

O livro “Parasite Eve” – 5 estrelas
Para quem conhece a história do jogo, já percebemos logo no início a presença de Eve através de ações da personagem Kiyomi, para quem não jogou, isso vem se mostrando aos poucos, em uma narrativa não linear, onde conhecemos partes das vidas dos personagens envoltos na trama e nos planos de Eve.
O livro é muito bom, um pouco confuso no início, muitas histórias misturadas, passado e presente se alternando, e tem bons momentos a partir do terceiro ato. A descrição, a forma como Eve se move e ataca Asakura, sua fala diante o público, sua combustão; a cena com Nagashima, o despertar que ele tem após esses atos, o nascimento e a morte da criatura – são um fechamento maravilhoso para essa história.
Me prendi muito nos últimos capítulos, mesmo sendo apaixonado pela história do jogo – uma variável digna de ser jogada – me encantei com a trama desse livro. E por isso minha nota para filme foi tão baixa.

Parasite Eve – o filme – 2 estrelas
Uma adaptação do livro, segue muito da história e tem uma produção interessante, entretanto, o filme não reproduz fielmente cenas importantes da trama como: a “possessão” Asakura – essa cena no livro foi linda e agonizante de se imaginar – a cena do acasalamento – Nagashima negou-se por completo a realizar o ato, buscando se afastar de Eve o máximo possível, já no filme ele cedeu e se iludiu, deliciando-se com o momento -; a fuga de Eve do quarto do hospital após capturar Mariko e, a melhor cena imaginada ao ler o livro, o nascimento e a morte do filho de Eve e Nagashima, o confronto entre os gêneros que levou a queda – de maneira científica e racional – dos planos de Eve. No filme, tivemos uma cena típica de “o amor vence tudo” melódica e ruim.
Por mais que seja difícil adaptar filmes e em 1998 não havia tantos recursos gráficos e visuais para grandes produções, o filme pecou em não trazer as cenas que eu citei e isso me desapontou bastante.
Agora me diz: o que achou dessa franquia?
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*Imagens retiradas do Google apenas para ilustração.




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