top of page

Fallout: O que me surpreendeu nessa série.

  • Foto do escritor: Odilon Júnior
    Odilon Júnior
  • há 10 minutos
  • 3 min de leitura

A série Fallout me surpreendeu.

E digo isso porque o primeiro episódio não me pegou tanto. Assisti e esperei algumas semanas para continuar.

O que me interessou não foi o apocalipse em si, mas a forma como fui descobrindo quem fabricou aquele mundo e o porquê. Quem realmente está por trás de tudo? Até onde eles possuem poder? Quem está manipulando quem? O que mais aconteceu no passado que impactou tanto a vida dos protagonistas?

O desenrolar da história, a crítica e a trama foram crescendo e me deixando cada vez mais satisfeito.

Começando pela história, estamos em um mundo pós-apocalíptico nuclear, de maneira bastante intencional.

Ah, alerta de spoiler a partir daqui.


Conhecemos Lucy, uma das protagonistas, que vive bem em um refúgio subterrâneo. Após um casamento arranjado, muita violência e a captura de seu pai, que foi levado para a superfície, a jovem foge do refúgio para tentar salvá-lo.



Durante toda a jornada, Lucy e sua ingenuidade tentam sobreviver aos perigos desse vasto mundo novo, enquanto seu caminho se entrelaça com o de Maximus e Howard. Ao mesmo tempo em que é uma das protagonistas, Lucy é o alívio cômico, a resiliência e a visível capacidade de adaptação. Lucy vai perdendo a inocência de alguém que vivia em um refúgio e passa a ganhar malícia para sobreviver ao ermo, aprendendo que, mesmo querendo fazer o certo, às vezes ela faz coisas erradas.

Não vou me estender na história. Não é o que quero neste post. Se você gosta de ação, ficção e histórias pós-apocalípticas, a série é boa e vale a pena.

Durante a jornada, Lucy descobre verdades sobre seu pai e nós, caros telespectadores, vamos descobrindo mais sobre aquele mundo, seu passado, suas escolhas e as consequências de cada uma delas.

Mas o que me deixou bastante satisfeito foi perceber como a crítica da série traz algumas coisas que, talvez, passem despercebidas.

Primeiro: o uso de celebridades para a manipulação das massas. Heróis, atores renomados e pessoas influentes discursando sobre um produto ou serviço sem necessariamente conhecer as “entrelinhas” de cada coisa. Fora que sua palavra também influencia não apenas a venda, mas o comportamento de muitas pessoas.

Cooper Howard é nossa estrela. Sua imagem é usada para influenciar pessoas a comprarem abrigos, a aderirem ao programa. Um herói de guerra, ator, pai de família — o típico homem perfeito, estereotipado pela mídia e pelo poder. Ele também tenta fazer o certo e acaba caindo nas garras dos poderosos. Perde tudo: fama, fortuna, família e até sua humanidade, tornando-se um ghoul. Talvez essa seja a metáfora mais valiosa da série: qualquer um está propenso a se tornar vítima do sistema.



Segundo: o uso da palavra “comunista” para diminuir alguém que luta por outras coisas. E, claramente, na série, assim como em alguns casos da vida real, algumas dessas pessoas lutavam por aquilo que acreditavam ser certo, pela sociedade e pelo bem do povo.

Terceiro: a série retrata bem como o poder financeiro pode ter controle sobre quem vive e quem morre. E tudo pode ser justificado pelo “lucro”. Percebemos como pessoas são influenciadas a comprar abrigos nucleares porque, já prestes a apertarem o botão, existem aqueles que vão se beneficiar com isso.

Basta soltar algumas bombas.



Se pensarmos pelo lado da publicidade, percebemos como a propaganda se torna ferramenta de manipulação — e não de informação — da sociedade. Um astro propaga um produto e, ao mesmo tempo, uma ideia: os abrigos subterrâneos como produto para uma possível ameaça nuclear; e o uso da palavra “comunista” em diálogos de filmes para discriminar pessoas e taxá-las como criminosas, difundindo uma ideia genérica e nociva.



Ainda não sei até onde a Vault-Tec realmente está envolvida dentro desse tabuleiro de xadrez que esse sistema opera. O Enclave apareceu discretamente durante os episódios e, no fim, aparenta ter um poder gigantesco e ameaçador.

Resumindo: a série me satisfez por trazer questões atuais, cenários reais e visivelmente praticados para a manipulação de massas. A única coisa que não temos — e que a diplomacia impede, creio eu — é a guerra nuclear.

Vivemos em uma sociedade “hipercomercializada”, e o lucro imediato é visivelmente praticado.

Eu não me aprofundei nos jogos — no sentido de conhecer a história e chegar ao fim — de nenhum dos títulos da franquia. Comecei Fallout 4 e New Vegas e, depois de assistir à série, pretendo mergulhar nessas aventuras.

E, caramba, algumas referências apareceram na série e me deixaram bastante empolgado para retornar às campanhas.

Quero saber a sua.

Curtiu a série?

Posts Relacionados

Ver tudo
O monstro da ponte Sanátas.

A criatura esperou o último raio de sol desaparecer antes de sair do esconderijo. Não que fosse algo oculto. Todo mundo dizia, “há um monstro escondido por baixo da ponte Sanátas”. Mas eu não me dei c

 
 
 
Sem fio

Minha casa já não era mais segura. Não, nem as ruas da cidade por onde morei. Aquelas vozes me perseguiam por todo lado. No começo era uma semente de incomodo diário. Depois se tornou uma florestas de

 
 
 
A casa da dona Joana

Um grupo de adolescentes resolveu investigar a famosa casa no meio da mata. Uma casa antiga e repleta de histórias. A casa da dona Joana, uma mulher que viveu há muito tempo, e até hoje não se sabe o

 
 
 

Comentários


bottom of page